sexta-feira, 28 de abril de 2017

QUEM É ESSA GAROTA?





Acreditaria se eu te dissesse que não sou aquilo que você muitas vezes pensa que sou? Acreditaria se eu te dissesse que meu sorriso esconde demasiadamente tantas coisas das quais nem eu saberia descrever?  Adiantaria dizer que meu olhar tem ligação direta com a maneira pulsante que meu coração bate? Faria diferença alguma saber que de todos os sentimentos que envolvem um ser humano, o que mais me revela é o desejo? Desejo insaciável de me reinventar, de suprir, de acreditar, de sair sem dia pra voltar? Sabia que onde espera minhas flores, consigo até as raízes, porém não as trago porque acho que são mais lindas na terra? Que onde quer minha música, transformo versos em canções, poesia em magia, solidão em melodia? Que onde espera minha ira, faço aviõezinhos de papel e jogo pela janela? Que quando quiser meu riso, conseguirá esse facilmente, muitas vezes sem esforço algum? Que faço chuva pra conseguir o céu limpo? Que vejo dentro das pessoas como nem elas mesmas conseguem se ver? Que  faço me achar quando quero ser encontrada e consigo me despir sem tirar as roupas? Que consigo fazer voar se me der as mãos? Que consigo levitar sem sair do chão? Que construo pequenas caixas em preto e branco com grandes sonhos coloridos que talvez jamais sairão da minha nuvem? Que as vezes me apaixono, caso e tenho filhos com alguns homens que passam por mim durante o meu dia e que esses nem imaginam que tivemos uma vida juntos por breves instantes? Que tenho cicatrizes tão profundas feitas pela vida que agora pequenos cortes ou arranhões já nem me incomodam mais? Que tantas vezes coisas tão pequenininhas me encantam tanto, que choro como se fosse um filme antigo? Que quando durmo, visito aqueles que amo? Que procuro incessantemente algo que nem eu mesma sei bem o que é? E que quando encontrar, não saberei o que fazer? Sabia que quando escrevo, me divirto? Será esse meu disfarce?

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

SE MINHA CADELA FALASSE...

Lúcia e Marco Antônio eram casados e viviam um casamento pra lá de meia boca. Como não podia deixar de ser, Marco Antônio se viu enroscado por sua secretária e queria de todo jeito arrastar a moça para a cama, afim de suprir as suas necessidades físicas, que a muito Lúcia não se preocupava mais em fazê-lo. 
A secretária que atendia pelo nome de Catarina, fazia questão de buscar o café do Sr. Marco Antônio todo santo dia, pela manhã e entrega-lo em mãos. Marco Antônio observava as curvas da moça todas ás vezes em que ela aparecia para retirar o café por meio de uma visão estratégica, subia o olhar por cima da impressora que ficava a sua frente, na mesma direção da cafeteira e que enquadrava uma visão privilegiada. A moça entregava-lhe o café, dava-lhe um "Ótimo dia, senhor Marco Antônio" e saia rebolando com sua saia quase sempre mais justa que Deus, fazendo Marco Antônio acompanhar o "ir e vir" do traseiro dela. E assim, determinou-se que o café foi o culpado, para que ambos ficassem cheios de tesão, um pelo outro.
Certa noite Lucia foi viajar com as crianças e Marco Antônio mais do que rapidamente anunciou  à Catarina que teriam uma noite inteira de sexo selvagem, livres de tudo e de todos. E assim ocorreu.
Na noite esperada, Catarina saiu um pouco mais tarde da Empresa e foi direto para o apartamento de Marco Antônio e mais que depressa ele abriu a porta e os dois se beijaram ardentemente. E como se o mundo fosse desmoronar naquele momento, eles foram se arrastando cozinha afora, atirando as roupas por todos os lados e foi nessa exata fração de segundo que Margarida, a cadela de estimação de Lucia, entrou na cozinha e viu o casal com a corda toda, aos 15 minutos do primeiro tempo e observou curiosa. De repente, não mais que de repente, Margarida se deu conta de que não conhecia aquela mulher e começou a latir freneticamente. Marco Antônio empurrou a cadela e pediu silêncio:
- Margarida, tenha dó! 
Margarida recolheu-se em sua insignificância, porém não desgrudou da cozinha e passou a noite toda olhando o casal.
No dia seguinte, Lucia retornou da viagem chegou em casa e foi direto para cama com uma dor de cabeça tremenda. E com a cabeça no travesseiro da NASA, Lucia escutou uma voz:
- Dona Lucia! A senhora não vai acreditar...
Lucia realmente não poderia acreditar...de onde vinha aquela voz?? Só podia ser um vizinho chato pela janela ou a TV ligada...Mas perai...a TV sabia seu nome?
- Dona Lucia, eu vi tudo! Era uma vaca de cabelo vermelho...a senhora tinha que ver...gemia que nem essas mulheres de filme americano...
Lucia olhou em volta e não viu ninguém. Será que a dor de cabeça foi tão forte que ela perdeu os sentidos e desmaiou? Ou será que havia se tornado uma médium sensitiva e agora ouvia vozes do além?
Lucia desceu olhar para beirada da cama e avistou Margarida, uma pudle fumando um cigarro e refletindo:
- É dona Lucia, o que é a vida...não se fazem mais maridos como antigamente...
Lucia fechou os olhos e pensou em tudo que havia feito de errado desde o nascimento até aquele momento para dar de frente com o Diabo coberto de pelo branco. Em sequência desmaiou. Foi para o hospital e só acordou dois dias depois diagnosticada com estresse aguda porque, afinal de contas, cães não podiam falar e voltou pra casa convicta de que tudo não passou de um sonho.
Margarida nunca mais falou. Parou de fumar e não se meteu nunca mais na vida alheia. Hoje é uma cadela comum, prefere ficar na sua, fingindo-se de "pudle fofinha" e não late nem mesmo para o homem do gás. 




domingo, 3 de julho de 2016

TODOS IGUAIS, MAS UNS MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS...

E foi pensando em uma das crônicas de Xico Sá, exibida no programa Papo de segunda, que me deu uma vontade indescritível de escrever sobre os nossos amados e queridos homens!
Xico Sá, permita-me que aqui lá vai...

O latifúndio dorsal de Rodrigo Lombardi ou a comissão de frente de Robert Downey Jr, o estonteante Homem de Ferro?
E na variedade formidável de toda Liga da Justiça e injustiça cinematográfica e televisiva, de heróis, ladrões, tolos apaixonados, chefes do tráfico, rapazotes perdidos, vampiros românticos e até comendadores, você vai de mocinho ou de bandido?
Do herói Thor, classicamente viril, ou de um Pirata Cômico e altamente sexy como o Capitão Sparrow?
Estatura baixa, porém perfeito na horizontal ou gigante pela própria natureza?

Na exibição gratuita de imagens masculinas e na disponibilidade para usarmos no nosso imaginário sexual, (sem grandes romantismos e cheios de pensamentos pecaminosos) o gosto muda de acordo com "o que tem pra hoje" e com a temporada. Muitas vezes, ele está na série do momento, no filme em cartaz, na novela atual ou mesmo no ligeiro momento em que cruzamos com alguém na rua e só por uma breve troca de olhares nós transamos, casamos, temos filhos e nos separamos. E tudo isso dentro de um pensamento romanesco, que dura em média, uns 10 segundos.

Tom Cruise em Top Gun, Gianecchinni em Laços de família, Depp em Don Juan de Marco como os eternos veteranos de todos os nossos desejos mais obscenos ou o Comendador jovem Chay Suede, Sam Clafin como Finnick de Jogos Vorazes e Daryl (Norman Reddus) de The Walking Dead como uma geração mais nova, ávida e voraz? Affff!!! (Jesus Luz acende essa luz!!!)

Na hora de escolher aquele que vai apagar uma chama momentânea ou invadir e alimentar o nosso sonho mais lírico ou picante, gringo ou nacional, cada instante tem o seu modelo de encaixe perfeito.  O cardápio varia entre o amadurecimento natural de um leve grisalho e sua tentação inebriante e exacerbada, cheia de experiência e a juventude dos desvairados nômades de carne fresca e imatura, de vultoso potencial.

Ainda bem que na vida real, o que importa o que realmente importa, para nossa alegria, é que quem manda mesmo neste jogo da vida, somos nós mulheres. Pois, do Porteiro ao Brad Pitt, o poder de escolha é nosso e se a propaganda do produto for bem feita, tivermos boa articulação e inteligência, sempre sairemos ganhando. Mesmo que o produto não seja aquela Ferrari toda.  E sou da teoria que uma mulher nua na cama de um homem é o mesmo que ganhar na loteria, para o homem, claro! Aliás, não se importe com a celulite ou a com gordurinha localizada... é loteria!!!

Homens: objetos de desejo! O novo sexo frágil! Eles podem ser sérios, meninos, alguns meigos, outros pequenos, tarados, todos infiéis, metade inseguros, meio tímidos, poetas, transitivos, Raríssimos Professores, amáveis, carinhosos, infantis e em grande parte, aprendizes... Enfim, são muitos, desiguais e tão iguais... Mas amo todos, cada um à sua maneira.

Do pornográfico Frota ao clássico Alain Delon, Richard Gere, George Clooney, passando por Rodrigo Santoro, Henry Castelli, Cristian Bale, Di Caprio entre tantos outros... só alegria! Arremato com dizeres da Diva Rita Lee:
         
         "Não quero luxo nem lixo, quero saúde pra gozar no final!"

Para finalizar e para nossa paz de espírito, aquele homem perfeito existe e seu nome é Mario Bross, afinal de contas não foi ele quem atravessou o mar, terra e céus pela Princesa?














sábado, 26 de março de 2016

NÃO HÁ LUGAR COMO NOSSO LAR

   Repensando hoje em algumas aulas do meu curso de Letras, recordei-me, que por diversas vezes, escutei alguns dos meus Mestres dizendo que alguns escritores não costumava reler os próprios textos , uma vez publicado não queriam mais saber de revisar aquela obra e que, ao contrário destes, haviam outros que reliam as próprias obras e refaziam seus textos. 
  Minha opinião é que acho de grande valia reescrever alguns textos que já foram publicados uma vez, pois, será sempre muito bom transformar-lo, aprimora-lo ou piorá-lo, é claro!
  Portanto, retomo oportunamente meu texto "Não há lugar como nosso lar".
  Penso eu que a vida já colocou-me diversas vezes, diante de algumas bifurcações onde sinceramente até hoje não sei dizer se escolhi a estrada correta. Quisera eu poder ter a certeza de caminhar pela estrada de tijolinhos amarelos, a mesma que Dorothy seguiu rumo ao mundo de Oz e depois de volta para casa, orientada por uma fada. Mas não, infelizmente muitas vezes, as escolhas que fazemos, são feitas por nós e por mais ninguém e raríssimas são as vezes que temos uma fadinha para ajudar.
   Minha dúvida é: Se a estrada correta não traz a felicidade, mas traz aprendizagem, será mesmo que tomamos o rumo errado??  E se traz somente a felicidade, não aprenderemos com ela? Dessa maneira, chego a pensar que um caminho bifurcado é certo e necessário porque, provavelmente, não há uma escolha certa, e sim uma sequência de: Aprendizado e Felicidade ou Felicidade e Aprendizado.
   Neste momento eu e Dorothy temos muitas coisas em comum. Acabei de cair de um furacão, matei a Bruxa Má do Oeste e agora sigo a estrada de tijolos amarelos. A diferença é que também não tenho a fada para me guiar, mas tenho a minha Coragem, o meu Cérebro e o meu Coração.
  Sinceramente não tenho ilusões de que encontrarei Oz, mas sim, tenho a plena certeza de que ao longo de minha extensa caminhada, devo contar com as minhas próprias virtudes e confiar em mim mesma, assim meu coração estará em paz, estará apto para amar em paz.
  Eu já aprendi  que não devemos buscar fora o que de melhor temos dentro de nós, portanto colherei sim no caminho muitas flores mas, pretendo distribuir muito mais das que já plantei.
  Muitas vezes deixei de acreditar na minha Coragem, no meu Coração de lata e perdi a confiança no meu Cérebro que sempre imagino ser de palha e deixei minha vida passar à toa, sem propósito. Contudo, neste momento da vida, decido enfrentar furacões, Bruxa Má do Oeste e do Sul e os Macacos azuis. Decido voar alto, decido pensar em coisas que nunca pensei antes.
  Assim como para Dorothy Totó não era um cãozinho ameaçador, quero crer que existam pessoas que chegam pra somar, agregar e trazer uma calmaria que muitas vezes desconheço e que por mais que as pessoas a minha volta queiram mostrar-me que são demais os perigos desta vida, um leão cheio de valentia sussurra em meus ouvidos dizendo-me que é possível.
   A verdade é que eu não quero seguir o caminho de volta pra casa. Ás vezes percebo como já fui tão além do jardim, e agora que fui, não desejo voltar, apesar de lembrar-me com frequência das doces palavras de Dorothy: "Não há lugar como o nosso lar”, não desejo voltar. Eu preciso continuar. E quem sabe assim,  encontrar na vida que procuro, o porto seguro do meu próprio lar.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

CARTA PRA DEUS



  Querido Deus,

   Venho por meio dessa perguntar-lhe...que brincadeira é esta?? Onde foi que isso começou?
   A verdade é que desde menina, eu vi o tempo passando e nunca aprendi a lidar com isso. Eu pensei que um dia alguém viria com um manual e me entregaria e eu saberia, aprenderia a jogar. Mas agora, estou prestes a fazer trinta e oito anos no mês que vem e acho mesmo que esse manual não vai chegar. E então o que eu faço? Me diz? Como é que se joga. Porque eu tô perdendo no jogo da vida.
   Eu preciso saber como é que se tira seis e seis repetidos nos dados. Como é que se controla esse tabuleiro?
   Meu coração anda cansado. Talvez se alguém tivesse criado esse manual que te falei, seria mais fácil, porque eu saberia o que fazer.
    Sabe quando você entra na água e a falta da gravidade te deixa com a sensação de que tudo é leve e que a bolhinhas de ar que se formam e serpenteiam o corpo da gente dá uma sensação tão gostosa que você quer ser peixe pra sempre?
    Sabe quando você toma sorvete com bastante calda e lambe até os dedos?
    Sabe quando você ri até a barriga doer?
    E quando o sol bate de manhã cedinho no seu rosto em um dia bem frio?
    Então, essas são peças chave pra se perder nesse jogo. E veja você só que incoerência, que tolice a minha! Eu acreditei que eram as que faziam vencer esse jogo.
     Deus, já passei por tantas idas e vindas, por tantos sorvetes, bolhas de ar e risadas infinitas, mas  em todo tempo eu acreditei que só eu é que jogava bem pra caramba nessa estrada amarela. Estava sozinha nessa estrada. Sempre com alguém do meu lado. Não é estranho? O que isso que dizer? Que minha burrice é tamanha que não consigo jogar como os grandes mestres? Como exímio jogador?? Afinal são trinta e oito anos nesse jogo da vida. Serei eternamente mísera aprendiz?
    Me diga por favor, como é que a gente consegue aquela carta da sorte que te faz avançar algumas casas. Me diz como faço?
    Já posso começar War?




sábado, 2 de maio de 2015

SERÃO FELIZES OS CAFAJESTES??


O cafajeste é uma tradição nacional. Falo isso e imagino se tenho conhecimento para afirmar que o cafajeste faz parte da paisagem internacional com a mesma frequência que a prostituta, esta instituição milenar. Não, não tenho este saber. Mas posso intuir que a existência de um é quase que a prova da existência do outro. Não, não acho que sejam equivalentes. Mas são iguais na medida em que querem ser de todos e de nenhum. Algo me diz, porém, que há um quê de honestidade no lema da mulher comprada, “dinheiro na mão, calcinha no chão”, que falta àquele cujo objetivo é apenas colecionar mulheres. Ele terá que mentir, iludir e machucar. A prostituta não. Ou, pelo menos, não precisará ferir.
Não há como culpar um homem por querer se deitar com todas as mulheres do mundo. O erro é ele não admitir isto, ou, vá lá, nem saber que esta é sua meta. “Não conseguiremos comer todas as mulheres do mundo mas devemos morrer tentando!”. O cafajeste, visto de perto, pode ser engraçado. No entanto não é este o seu intuito, na maior parte das vezes. Quero dizer: ele parece não quer divertir ninguém mais do que a si mesmo.
Tenho um círculo de amigos que contrariam esta tradição. Acho até mais fácil apresentar uma amiga legal para um amigo solitário do que o contrário. Meus amigos, em geral, estão sempre envolvidos em longos relacionamentos, são bons pais e maridos e prezam muito seus afetos. Tanto quanto suas mulheres. Tenho mais amigas que amigos, e elas costumam ter mais dificuldades para conhecer alguém a quem possam levar a sério. Dizem que há muitos homens bobos, que não sabem bem o que querem, que tratam com superficialidade as questões afetivas como se o trabalho, os esportes, a diversão, enfim, o alongamento da adolescência fosse uma missão a ser completada. E só.
Há, talvez por esta dita escassez de homens disponíveis e interessantes, existem aquelas que se envolvem com os cafajestes. Algumas sabendo que correm riscos. São aquelas que acham que vão “endireitar” o sujeito. Tem outras que se envolvem com canalhas porque não sabem que eles o são. Tenho especial compaixão por estas. O canalha é diferente do cafajeste, que apenas quer se divertir em um parque de diversões sexuais infinito. O canalha não quer seu corpo. Não sem sua alma. Apenas por achar que se você estiver perdidamente apaixonada vai se entregar com tal fervor, como nunca se entregou antes. E é com isto que ele quer brincar antes de achar outro brinquedo. Ou enquanto colecionas outros tantos brinquedos iguais.
Mas como seria a origem ou a essência deste personagem? O predador. O que destrói corações, relacionamentos, esperanças? Ele pode ser um cara que se esforça para ganhar dinheiro para gastar com suas presas; e ter sempre roupas de qualidade, embora discretas. O carro não será um esportivo. Este é o do cara que se separou e quer dar uma de garotão. O “Casanova” terá uma casa que pareça ser de uma mulher, sem uma dentro, claro: cheia de objetos de decoração, flores, detalhes que a façam crer que ali mora um bom partido. Jantares luxuosos, viagens de final de semana, empenho em lhe realizar todos os prazeres e promessas, todas as promessas, muitas promessas, todas as que você quiser ouvir. Talvez até um poeminha, ou CD com músicas muito românticas, façam parte da cena. E, curiosamente, o fato de que não há nada de muito evidente em seu passado, como que a dizer que até aquele momento não apareceu ninguém que fosse tão importante quanto você. Ah, tudo isto pode ser verdade.
“Laranja madura na beira da estrada, tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé”.
 Sei que muitos homens por aí ainda estão penando nas trevas da imaturidade. Você aponta que ele pode ser um compulsivo sexual e ele responde: “Agora gostar de mulher virou defeito?”
Acho que eles não sabem exatamente o que é gostar. Sei lá.




Pessoal,

Neste Blog eu sempre escrevo minhas postagens, porém dessa vez publiquei um texto do meu queridíssimo Léo Jaime, texto que eu gostaria muito de ter escrito. Aliás acho que foi eu quem escrevi e ele copiou intuitivamente!!!!

sábado, 22 de novembro de 2014

COMO ISSO É POSSIVEL?


   Impressionante como a vida passa diante dos nossos olhos e a gente não vê. Impressionante como as concepções mudaram tanto e a gente não viu mudar. Só se sabe que mudou.
   Na década de 80, Erasmo Carlos cantava um dos seus grandes sucessos "Dá um close nela" referindo-se a Roberta Close, musa desejada na época que corrompia a moral e os bons costumes por ser uma transexual, porém linda. Hoje transexualidade não é novidade é rotina.
   Raul fazia sua poesia musical, inventando moda e todo mundo ouvia e todo mundo cantava:  "Um piloto rouba um mig, gelo em Marte, diz a Viking. Mas no entanto, não há galinha em meu quintal". Hoje o que é música mesmo?
   Desenhos encantavam, programas infantis entretinham e divertiam. Cara, quando vejo a Xuxa hoje, me dá uma raiva...ela fez parte da minha fantasia infantil, dos meus sonhos de criança. Hoje ela não tem meu apreço.
   As pessoas daquela época, hoje se parecem com uma boneca inflável. Muito embora eu nunca tenha visto uma de perto, mas sei que todas tem a mesma cara, ou seja, todo mundo tá com a mesma cara. É botox, silicone e cabelo liso pra todo lado.
   E olha como nossa linguagem também muda. Antes retrato e foto eram exatamente a mesmissima coisa. Hoje você mostra pra alguém um "retrato" no seu celular??
   Fico imaginando que do jeito que as coisas voam e se transformam assustadoramente depressa demais, daqui uns 20 anos vamos ler matérias do tipo: "Depois de 20 anos, após o primeiro beijo gay na TV entre Matheus Solano e Thiago Fragoso, a teledramaturgia dá um passo além e personagem "fulano de tal" fuma o primeiro baseado em cena."
   "35 anos depois do impeachment de Fernando Collor de Melo, as pessoas vão ás redes sociais, cada um lutando avidamente através do seu Twitter, por justiça no Brasil."
   Na minha casa são sete pessoas. Sete celulares. Seis computadores. Quatro TVs. Como é possível isso?? Onde é que as pessoas tinham duas TVs em casa em 1978?
   Hoje as pessoas todo dia são felizes, vão a lugares lindos, viajam, compram carros, vão a lugares bacanas, se vestem bem...tá aí...tudo lá no Facebook. Ô lugarzinho de gente feliz, né? Lá ninguém tem problemas, todo mundo é legal, bonito pra cacete. Quem bom que nessa geração existe um lugar além do horizonte, um verdadeiro paraíso onde os nosso problemas acabaram.
   Viva a internet, viva a tecnologia! Viva o botox! Viva a extinção! A matança das baleias! As bombas atômicas! A impaciência do ser humano!!
   Saudades de quando minha maior alegria era ver aos domingos, quando as pessoas ganhavam o que queriam nas Portas da Esperança ou descobrir onde estava escondido o Geninho no desenho da She-Ra!!